Cepas de coronavírus, cepas e mutações: o que e quando se preocupar – 26/12/2020

Nesta semana, foram novidades localizadas no Reino Unido e no Rio de Janeiro. Entenda como essas diferentes cepas se formam e quais riscos representam para a progressão do vírus Covid-19 e o sucesso das vacinas.

Em janeiro de 2020, pesquisadores chineses revelaram ao mundo o primeiro genoma de um vírus que havia começado a infectar humanos e antes era limitado ao país asiático, o SARS-CoV-2.

Cerca de um ano depois, depois que mais de 78 milhões de pessoas em todo o planeta adoeceram, milhões de genomas emergiram desta Vírus Corona Já foi compartilhado por cientistas na plataforma colaborativa online Gisaid. Como esperado, novos “documentos de identidade” genéticos mostram que o Coronavirus não é exatamente o mesmo Foi introduzido pela primeira vez em janeiro 2020 ? Ele passou por mutações, frequentemente mudanças acidentais no material genético do vírus.

Os genomas com mutações semelhantes constituem “variantes”, “cepas” ou “cepas” do vírus? Que, apesar de ter essas diferenças internas, ainda é o SARS-CoV-2, explicam pesquisadores entrevistados pela BBC News Brasil.

Eu fiz uma dessas cepas, conhecida como B.1.1.7 Esta semana, 40 países fecharam suas fronteiras com o Reino Unido. Pesquisadores britânicos e funcionários do governo alertaram que a variável está se tornando prevalente em muitas partes da região, incluindo Londres, onde sofreu mais de uma dúzia de mutações que podem ter facilitado sua transmissão. Esta cepa também é encontrada na Austrália, Dinamarca, Itália, Islândia, Holanda, entre outros.

No Brasil, uma nova cepa, caracterizada por até cinco mutações, foi identificada pela primeira vez em amostras do estado do Rio de Janeiro e Apresentado pelos pesquisadores Terça-feira (22/12). Segundo a equipe, a cepa foi derivada de outra variante que já circulou no país, a B.1.1.28, originária da Europa.

Ambos os casos alertaram que tais mutações poderiam potencializar a SARS-CoV-2? Por exemplo, preferências de transmissibilidade ou gravidade da lesão. No entanto, de acordo com os pesquisadores, ainda não há evidências suficientes de que esse cenário alarmante ocorra ou de que novas cepas ameacem a eficácia das vacinas contra COVID-19.

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“Não entre em pânico. Em meio a uma pandemia, com tanta gente e vírus se espalhando, é natural sofrer mutação. Tentar fugir do sistema imunológico do hospedeiro, é normal”, resume Anna Teresa Ribeiro de Vasconcelos, antes de pesquisar com genomas cariocas e a coordenadora do Laboratório de Informática. Vitalidade no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

“O que estamos fazendo é um monitoramento genético para ver como o vírus está se desenvolvendo no Brasil. Isso é importante para monitorar se haverá alguma mutação que lhe dê algumas características de infecção e transmissibilidade”, diz Vasconcelos, acrescentando que na linhagem foi identificado no Rio de Janeiro, e não Há evidências de que o vírus aumentou esse risco.

“ No entanto, na Inglaterra, mais dados ainda são necessários para demonstrar que as proporções (B 1.1.7) são mais contagiosas, por exemplo, vinculando mutações a informações de pacientes que ficaram mais graves ou doentes por um período mais longo.

“Se o vírus ficar mais perigoso, será por mutações”, admite a pesquisadora com doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Por isso é tão importante monitorá-lo”, diz Vasconcelos.

“Há mudanças em algumas partes do genoma e nada acontece. Mas se isso acontecer em um local importante que afeta a associação (do patógeno) com o sistema imunológico, isso é motivo de preocupação.”

14 Um boom na variante britânica

Embora instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) indiquem que é muito cedo para tirar conclusões sobre a variante que ganhou popularidade no Reino Unido, estudos iniciais indicaram um número incomum de mutações, 14, algumas das quais podem afetar o gene que codifica a proteína. Montagem ? O tipo de chave que o coronavírus usa para alcançar as células humanas.

Porém, as mutações por si só não são suficientes para indicar um risco maior do vírus, lembra Paula Christina Resende, pesquisadora do Laboratório de Virologia Respiratória e Doença do sarampo Instituto Oswaldo Cruz (IOC / Fiucruz).

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O pesquisador, que tem doutorado em biologia molecular e celular, explica que “mesmo que os vírus tenham mutações e / ou sejam de cepas diferentes, isso não significa que sejam diferentes em termos de fenótipo. Isso não significa que tenham características diferentes”.

“A caracterização da descendência é muito precisa e foi adotada no início da epidemia para caracterizar vírus com conjuntos específicos de mutações espalhados pelo mundo. Isso é mais do que uma caracterização epidemiológica para entender a propagação do vírus.”

“Análises complementares devem acompanhar as análises genômicas para confirmar hipóteses nos testes como: maior dispersão do vírus; maior gravidade da doença; resistência antiviral, entre outras”, acrescenta.

E quanto às vacinas?

Se o coronavírus sofrer grandes alterações no genoma, é possível imaginar que vacinas estudadas ou atualmente aplicadas em todo o mundo possam não funcionar nessas novas configurações.

Mas, por enquanto, os pesquisadores estão rejeitando esse cenário alarmante porque as principais vacinas treinam o sistema imunológico para atacar diferentes partes do vírus? Alcançar um objetivo maior do que partes específicas que podem ter sofrido mutações.

Além disso, lembra Anna Teresa Ribeiro de Vasconcelos, que o conhecimento sobre outros coronavírus mostra que eles estão mutando muito menos do que dor ? Para o qual é necessário fazer diferentes fórmulas de vacinas a cada ano, essa mudança.

Porém, em entrevista à BBC News da Inglaterra, o professor Ravi Gupta, da Universidade de Cambridge, mostrou sua preocupação com as mutações que o vírus Corona já apresentou? Como na linha B.1.1.7.

“Se o caminho estiver aberto para adicionar mais mutações, a ansiedade começará”, disse Gupta.

“Este vírus está potencialmente a caminho de escapar da vacina. Ele deu os primeiros passos nessa direção”.

Como as mutações acontecem

Pode não parecer, mas as mutações que às vezes favorecem um organismo invasor não estão ocorrendo “de propósito”? Mas por acaso.

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Na maioria das vezes, erros no processo de cópia do material genético levam a mudanças, mas, em menor grau, a radiação e os elementos químicos (como o alcatrão na fumaça do cigarro) também podem fazer isso.

Como em qualquer processo evolutivo, as vantagens biológicas surgem no processo de seleção natural e são reproduzidas. Isso é o que poderia acontecer com algumas propriedades benéficas decorrentes de algumas das mutações.

Mas nem sempre essas mudanças trazem benefícios, explica o virologista Rômulo Neres.

“Quando um vírus infecta uma célula, ele precisa se replicar. Para isso, a célula lê o genoma do vírus, onde há instruções de como fazer mais vírus. A mutação ocorre no momento em que o genoma é copiado”, explica o aluno de doutorado da UFRJ.

“Na maioria das vezes, a mutação simplesmente não faz nada e não causa nenhuma mudança significativa no vírus. Em outros casos, poderia ser prejudicial ao vírus? Quando o faz, a mutação não é transmitida, porque o vírus simplesmente não pode se espalhar ou transmitir.”

“Em última análise, as partículas produzidas pelas mutações podem ganhar algumas novas funções ou modificar algumas das existentes. Será que algumas dessas mutações, por exemplo, podem dar mais afinidade aos elementos do vírus com as proteínas celulares? Isso aumenta as chances de transmissão”. Outras mutações podem dar ao vírus a capacidade de escapar de uma resposta imunológica. “

“O acúmulo dessas mutações poderia, em última instância, caracterizar um novo organismo? Como o novo vírus corona. Em algum momento, outro vírus precursor, que até agora parece ser um vírus de morcego, passou por adaptações suficientes no genoma para infectar humanos com sucesso.”

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