Coisa rara!?

Coisa rara!?

Por Jorge Melo / Opinião / terça, 19 dezembro 2017 14:29

É realmente um trabalho de investigação jornalística notável, o de Ana Leal relativamente ao caso “Raríssimas”. Esta forma jornalística de dar trabalho à Policia Judiciária vai sendo comum no nosso país.

Este caso da “Raríssimas” deve colocar outras Instituições de Solidariedade Social em alerta ou, pelo menos, devia! Quero crer que este caso é um caso raro de aproveitamento ilícito dos recursos financeiros da instituição por parte da sua Presidente.

É mais um caso de utilização de dinheiros indevidos de influências e também de amores e desamores, o que torna esta história quase digna de uma novela mexicana!

Além do uso fraudulento dos recursos da Instituição, ou seja, maioritariamente do Estado, o mais grave nesta história, ainda sem fim, é a eventualidade do dinheiro não ter sido usado para a finalidade da existência da “Raríssimas”.

Os utentes provavelmente não usufruíram de cuidados continuados integrados, consultas de especialidade, terapias de reabilitação, centro de atividades ocupacionais, lar residencial, residência autónoma e campo de férias, no trabalho de investigação para identificação de doenças raras e possível cura!

Ter ambição é bom mas doseada! Demasiada ambição pode levar a este tipo de atitude da Presidente da Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras – Raríssimas.

Mas esta senhora rapidamente percebeu como fazer crescer uma instituição em Portugal, ter o poder político do seu lado e construir uma rede de amizades políticas.

O início da história da “Raríssimas” é meritória desta mulher que perdeu um dos seus filhos com uma doença rara e decidiu trabalhar em prol da sociedade. No entanto, com as necessidades de financiamento, as tentações, as coisas começaram a descarrilar e deu no que deu!

Sabemos o que não queríamos saber, a avença ao Ex-Secretário de Estado, Manuel Delgado, o emprego ao marido e ao filho, a viagem à Suécia da mulher do Ministro da Segurança Social, ministro Vieira da Silva, que também foi Vice-Presidente da Assembleia Geral da Raríssimas entre 2013/15 e ainda o enredo amoroso entre Paula Brito e Costa e o Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, fazem os ingredientes para uma boa novela mexicana!

Penoso foi ver a conferência de imprensa de Vieira da Silva sobre este caso. Infelizmente em Portugal tudo é possível, por mais vezes já outros ministros de outros governos não se demitiram mas, dificilmente, se aguentaram muito tempo. Assim como o Secretário de Estado da Saúde se demitiu, o Ministro da Segurança Social também não tem condições para continuar.

Independentemente de partidos, sejam eles quais forem, os governantes devem ter a consciência de que o cargo que ocupam é passageiro e à mínima suspeita fundamentada devem colocar o seu lugar à disposição. Poucos, mas ainda existe bons exemplos de políticos despegados do poder.

Que desta triste história resulte mais fiscalização por parte do governo às instituições que recebem apoios governamentais e que se separe o trigo do jóio. Quero crer que estre foi só um mau exemplo, um exemplo raro numa instituição de solidariedade social.

 

E daqui para a frente o que será dos utentes, os mais prejudicados e indefesos?

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