E eis que é Natal

E eis que é Natal

Por Isabel Brandão / Opinião / terça, 19 dezembro 2017 14:21

E eis que estamos em Dezembro, e eis que mais uma vez é Natal.

O Natal que, para os mais católicos e religiosos, deveria representar uma época de paz, uma época de harmonia, uma época para celebrar um poder maior, que se manifesta, ou deveria, na fraqueza da vitória, na dor, no sofrimento e nascimento de um grande homem que seria levado a uma morte humilhante, injusta e marcante, que viria a mudar o mundo.

Um nascimento de esperança e reconciliação, um príncipe da paz que anunciava um Deus benevolente e oposto ao conhecido até então. Um Deus misericordioso e poderosamente fraco, que oferece uma vida eterna por meio da morte!

O Natal era o início de uma nova era, de um novo começo, um nascimento de luz.

Os séculos passaram e a essência foi perdida, desvanecida e ofuscada por luzes brilhantes e ruas apinhadas de gente. A alma do Natal trocada, ou vendida, a uma outra essência, onde em vez de um “menino”, temos um homem, alto, grande e barbudo, vestido de vermelho, carregado de presentes e sorridente, levando-nos a confundir o Natal com ele.

Desde então, Natal sem “Pai-Natal” não é Natal e o “pequeno príncipe” foi quase esquecido e deixou de ser o protagonista da data.

O Natal são dias frenéticos de trânsito insuportável, de lojas (algumas) repletas de gente e filas intermináveis. Pessoas que se acotovelam com compras inúteis e supérfluas para oferecerem a outras pessoas que possivelmente nem precisam delas.

O Natal são pernis, perus, presuntos, frutos secos, bacalhau e doces!

Em todos os “cantos” vemos “alguém” vestido de “Pai-Natal”, que estimula crianças e adultos ao desejo do consumo.

O Natal são ceias para os mais necessitados e hipócritas demonstrações públicas de preocupação e cuidado para com o próximo, esquecidas logo no dia a seguir. Pobres pessoas que terão 365 dias pela frente sem ninguém que lhes ponha a mão.

E eis que é Natal.

As ruas engalanadas de cor e luz, encontro de famílias, a comida sobeja e a bebida não falta ao sabor da luminosa e quente fogueira que obrigatoriamente tem de fazer parte.

E eis que chega o Natal e por muito que se diga, por muito que se pense, e por muito que se ache supérfluo, hipócrita e consumista, ninguém fica indiferente. Respira-se algo diferente, sente-se diferente, as emoções ficam fáceis e à flor da pele, pensamentos atropelam-se, recordações, saudades. E sentimos falta de momentos, de pessoas, de outros tempos, outros Natais e chegamos quase a sentir que foi numa outra vida!

Enfim, é Natal. E mesmo sem querer somos “contagiados” por algo ou alguma coisa que se sente, que se respira, que vibra no ar. E isso dá-me a certeza de que afinal o “espírito de Natal” existe!

 

Boas Festas!

 

Feliz Natal!

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