Vandalismo e responsabilidade

Vandalismo e responsabilidade

Por João Oliveira Castro / Opinião / terça, 19 dezembro 2017 14:07

No passado fim-de-semana o nosso país foi visitado pela Tempestade Ana, a primeira intempérie batizada em Portugal.

Sem prejuízo do vento e chuva fortes que se fizeram sentir, os estragos provocados pela sua passagem por terras oliveirenses não tiveram a dimensão sofrida noutros concelhos muito graças à pronta e eficaz intervenção dos nossos Bombeiros Voluntários.

Porém – e felizmente! –  se a novidade da visita de uma tempestade com nome de pessoa não teve grande impacto entre os oliveirenses, os atos de vandalismo praticados por pessoas com ímpeto de tempestade tiveram.

É certo que a tempestade é um fenómeno (cada vez menos) natural e involuntário, e que os atos de vandalismo são intencionais e propositados, pelo que as suas géneses não podem ser comparadas.

Não obstante, é pacífico afirmar que nenhum dos dois incidentes foi desejado pela esmagadora maioria dos oliveirenses e que nenhum pode ser totalmente controlado.

Ignorar estes atos de destruição voluntária e consciente não pode ser opção, sobretudo porque originam um clima de insegurança e, relativamente ao comércio tradicional, agudizam a frágil situação em que já se encontra.

É próprio da natureza humana procurar soluções quando somos confrontados com problemas. Com efeito, é relativamente fácil apresentar propostas de solução imediata. Solicitar junto das autoridades um patrulhamento mais ativo, contratar uma empresa de segurança privada ou requerer à Comissão Nacional de Protecção de Dados a instalação de um sistema de videovigilância são apenas algumas delas.

Alguma destas hipotéticas soluções é despropositada? Julgo que não. E resolveria, em definitivo, o problema? Também julgo que não.

Como diria Vasco Pinto de Magalhães, para fenómenos como este “não há soluções, há caminhos”. Como ninguém pode antecipar os efeitos de tempestades e de comportamentos intempestivos, julgo que o melhor caminho para minimizá-los é a prevenção.

Se o vandalismo é um problema de todos, a prevenção também deverá ser responsabilidade de todos. Orgulhamo-nos de ser um concelho com uma taxa de desemprego irrisória, com uma presença forte no desporto, com tradição religiosa e com um associativismo forte. Não podemos ficar simplesmente a assistir com indiferença. Junto das incontáveis colectividades, urge instigar ao acolhimento dos mais marginalizados; promover a reintegração através da criação de projectos envolventes; apostar num acompanhamento de tempos livres; sensibilizar para a importância da família e da educação; ajudar a aceitar que a realização pessoal só é possível com a construção e não com a destruição.

Conseguirmo-nos mobilizar neste sentido seria o melhor presente que o concelho poderia receber.

 

Votos de um Santo e Feliz Natal e Próspero 2018!

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