Aquele abrir de olhos

Aquele abrir de olhos

Por Sandra Marques de Paiva / Opinião / quinta, 30 novembro 2017 15:03

Suponho que já tenha acontecido a todos nós - aquele momento de repentina clareza, como se andássemos de olhos fechados que, subitamente, se abriram para o mundo!

Por alguma razão, aquela pessoa que é habitualmente querida, atenciosa e de confiança mostra-nos que afinal não é assim tão querida, nem atenciosa e muito menos, de confiança.

Inesperadamente, essa pessoa tem uma atitude ou diz alguma coisa que não condiz com o expectável, deixando-nos com a pulga atrás da orelha.

Depois a coisa passa e a pessoa continua a ser querida, atenciosa e, aparentemente, de confiança. Só que aquela situação fica na cabeça a martelar, a martelar - alguma coisa não está a bater certo.

Como o ser humano tem muita necessidade de se expressar e desabafar as suas suspeitas, contamos a peripécia a alguém que nos diz que não é nada, que estamos a ser maldosos e que é uma injustiça aquilo em que estamos a pensar. Mas eu sou daquelas pessoas que quando tem macaquinhos no sótão, deixa-os por lá mesmo e ninguém me demove das minhas suspeitas.

A partir daí a atenção aos detalhes é redobrada. Não escapa nada à devida detecção de lacunas.

Só o tempo nos esclarece se foi um equívoco ou, pelo contrário, as nossas suspeitas afinal têm fundamento. Não há nada como o tempo para descobrir carecas, mas como se costuma dizer: "onde há fumo, há fogo"!

Eis que um dia o Universo nos presenteia com provas de que, afinal, as nossas suspeitas estavam correctas. Aqueles que nos disseram que estávamos a ser injustos e maldosos, fazendo-nos ficar com dúvidas e remorsos, vêm dar-nos razão. É que, muitas vezes, nós é que passamos a ser os maus da fita e a sofrer as consequências... por muito que a verdade venha à superfície, ninguém nos retira o sentimento de descrédito. E como é que se fica?

Fica-se entre o alívio e a revolta!

 

Tantas dissertações à volta das atitudes das pessoas e dos seus motivos, sempre a tentar arranjar uma desculpa, quando o mais simples e acertado é fazer o teste do pato: "Se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então, provavelmente, é um pato".

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