Vida para o comércio tradicional

Vida para o comércio tradicional

Por Nuno Araújo / Opinião / quinta, 30 novembro 2017 14:42

Desde que me tornei merceeiro, a minha sensibilidade quanto às necessidades do comércio tradicional aumentou e, agora sim, posso ter mais rigor nas minhas considerações.

O chamado núcleo histórico de Oliveira de Azeméis tem vários problemas identificados e obrigam a um correcto planeamento para dar vida a tal zona. Temos prédios abandonados a deteriorar-se, estacionamento pouco eficiente e ausência de comércio e serviços que potenciem a vinda de mais pessoas. Por outro lado, existe uma associação comercial que deveria imprimir uma dinâmica mais forte e conseguir congregar todos num propósito comum. Ao que parece há um concurso de montras de Natal, e é isto! Não pode ser…

Também podemos ter um comércio mais dinâmico e criativo, é verdade, mas a ausência de vida conduz ao desânimo e desmotivação, criando-se uma pescadinha de rabo na boca com comerciantes menos envolvidos e pessoas mais distantes. Numa vigilância confortável (e perdoem-me a provocação) lá está a associação comercial, sem rumo e estratégia que quebre esta inevitabilidade viciada e potencie novas vivências comerciais no centro de Oliveira de Azeméis.

O primeiro passo seria mesmo reunir a sério com todos os comerciantes e Câmara Municipal para reflectirem sobre o que será necessário mudar. Um espaço inicial de reflexão conjunta, um laboratório de ideias que contribua para urgentes alterações e novas dinâmicas urbanas, uma reunião positiva com vista a um propósito comunitário que ajude todos a crescer.

A avaliação e reconhecimento das nossas potencialidades e fragilidades é sempre o primeiro passo para a elaboração de alternativas que tragam benefícios para todos. Envolver a própria comunidade nesta avaliação será fundamental, ouvindo os munícipes e percebendo as suas necessidades, pois são as pessoas que dão alma às vilas e cidades.

O problema dos edifícios abandonados, privados e públicos, exige outro exercício. Mais político e técnico, é certo, mas a nossa responsabilidade cívica não pode alhear-se e temos de estar vigilantes e pressionar para uma solução. A pressão tem de vir da comunidade e dos seus representantes para que existam alternativas válidas para a recuperação de edifícios. Existirá capacidade financeira pública para a reabilitação urbana? Teremos proprietários abertos a um ajuste temporário de rendas para projectos comerciais sustentáveis? Há pessoas e empresas que querem investir em Oliveira de Azeméis nas condições actuais? E os edifícios públicos ao abandono? Não será mais fácil resolver esta situação? Já procurámos boas práticas noutros municípios que ultrapassaram os mesmos problemas? Penso que para a avaliação e acompanhamento destas problemáticas todos nós temos de nos envolver activamente, procurando, nos locais próprios, questionar que plano existe.

A possibilidade de uma grande superfície comercial para Oliveira de Azeméis deverá ser liminarmente recusada. Falo naturalmente de shoppings do género Oitava Avenida e não propriamente de centros comerciais inovadores que pudessem, eventualmente, servir de âncora ao comércio tradicional.

A coexistência de um centro comercial híbrido e sem identidade com o nosso comércio tradicional parece-me descabido e sem fundamento, para além de matar aquilo que pode ser um factor competitivo de uma cidade com a nossa dimensão.

Muito haverá a fazer e está mais que na altura de lançarmos o desafio de dar vida ao comércio tradicional.

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