A educação e o futuro

A educação e o futuro

Por Isabel Brandão / Opinião / quinta, 30 novembro 2017 14:25

Não sou professora. Nunca achei que fosse a minha vocação e nunca tive vontade nem coloquei como opção fazer do ensino a minha carreira.

No entanto, devido às polémicas e aos ataques nos media e redes sociais a esse sector, e tendo em conta as consecutivas greves, resolvi expor de alguma forma a minha opinião.

E não obstante achar justo ou injusto aquilo que conseguiram com as suas reivindicações, tenho algumas certezas em relação ao ensino e às pessoas que dele fazem parte.

Somos uns afortunados, pois em tempos ir à escola era quase um luxo.

O analfabetismo tinha uma taxa enormíssima e os pais não achavam que “aprender a ler”, fosse uma prioridade.

As crianças começavam a trabalhar cedo e tal não era considerado exploração ou trabalho infantil. Pelo contrário, era mais um contributo para a economia do lar.

Os tempos mudaram e ainda bem. Somos um país dito evoluído, os nossos jovens têm obrigatoriamente de frequentar a escola até completarem 18 anos e, gostem ou não, com aproveitamento ou não, a Lei exige que só podem deixar a escola quando atingem a maioridade.

São muitos aqueles que seguem para a universidade e se licenciam em algo ou alguma coisa, o que faz com que tenhamos a “felicidade” de encontrar muitos “doutores” nas nossas caixas de supermercados, nas bombas de gasolina, numa loja de um centro comercial, ou simplesmente em casa, sem colocação alguma.

Com isto, precisamos de trabalhar, lutar e fazer esforços e sacrifícios para dar aos nossos filhos o que eles querem mas também o que o Estado exige e nos obriga, contribuindo ele com uma miséria mensal a que chamam “Abono de Família”, que no máximo dá para comprar 2kg de arroz...

E porque trabalhamos noite e dia, o tempo útil que dedicamos verdadeiramente aos filhos é quase nenhum, e inconscientemente, deixamos que outros lhe transmitam muitas vezes os valores e ensinamentos que deveriam levar de casa.

Mas, pensando bem, não se pode dar uma palmada, porque é considerado maus tratos. E “ai” da professora que pense sequer em castigar alguém... Quando não é o próprio filho ou filha que depois de uma chamada de atenção do pai ou da mãe ameaça que se eles lhe baterem vai acusar ao CPCJ (conheço casos concretos em que isso aconteceu)!

Se bem me lembro, “ai” de nós se ao chegar da escola tivéssemos a brilhante ideia de dizer que a professora tinha dado umas reguadas ou uma palmada. A pergunta vinha logo: “O que é fizeste? Anda cá que levas mais”.

E só o medo e o respeito que existia hierarquicamente já fazia com que questionássemos ações e palavras e no mínimo “baixávamos a crista”, tivéssemos ou não razão.

Os professores sempre foram importantes. Mestres, educadores. Mas, neste momento, são eles que acabam por transmitir aos nossos filhos conceitos, regras e ensinamentos. São eles que devem levá-los à dúvida, à inquietação, à contestação e ao questionamento essenciais ao seu desenvolvimento.

Seria quase impossível conceber uma sociedade e a sua contínua evolução cultural e científica sem os educadores, professores e mestres.

São profissões cada vez mais essenciais à formação do ser humano. São a alma da educação e uma parte importantíssima da espinha dorsal de uma sociedade.

Mais do que nunca, a escola e o pessoal docente são indispensáveis a um país cuja nação será consciente e intelectualmente capaz de construir as bases sólidas que sustentarão os sonhos das novas gerações.

Além disso, são eles que passam mais horas com os nossos filhos que nós próprios. E quem nunca pensou em tempo de férias “...e a escola que nunca mais começa...”?

Deixe um comentário

pub
Landeau Therapie
  • Popular
  • Comentários

Please publish modules in offcanvas position.