Em democracia todos contam

Em democracia todos contam

Por Bruno Aragão / Opinião / segunda, 16 outubro 2017 11:03

No último artigo que assinei antes das eleições autárquicas, fiz um apelo ao voto. Ainda que integrando convictamente as listas do Partido Socialista, não tentei convencer ninguém a votar PS, apenas a participar.

Decorrida que estava a campanha eleitoral, cada cidadão estaria capaz de pensar pela sua cabeça e escrever a História como entendesse. Os resultados eleitorais são essa História, com muitas histórias à mistura.

Apesar de tudo a abstenção diminuiu alguns pontos. Ainda assim, um pouco mais de 40% das pessoas entenderam não votar em Oliveira de Azeméis.

De facto, as eleições são uma importante forma de participação democrática, mas não são, de longe, a única. Seja qual for o motivo, e o consideremos mais ou menos defensável, em democracia todos contam, tenham votado ao não.

Por isso mesmo, temos que continuar a apelar à participação de todos na discussão dos problemas e dos sonhos que colectivamente partilhamos. Há muitas formas de nos fazermos ouvir, mas tem que haver gente disposta realmente a ouvir.

Cabe a todos os eleitos passar esta mensagem, mas sobretudo fazer com que as pessoas a sintam de facto como genuína.

Há ainda na sociedade um sentimento de medo e às vezes até de vergonha. Ou porque erradamente nos sentimos inferiores ou porque achamos que não temos competências para expor ideias, acabamos por nos abster e calar.

Podemos não ser as pessoas mais eloquentes, as mais bem preparadas, mas o que realmente importa é que nos sintamos confortáveis para intervir e sintamos respeito pelas nossas intervenções e pelas nossas ideias. Por todas!

Neste novo tempo e neste novo ciclo político, temos a responsabilidade de promover este ambiente. É nossa também a responsabilidade de trazermos mais pessoas para o debate e mostrar que política todos fazem, todos os dias, até quando esperamos o autocarro.

Num primeiro discurso político, em Matosinhos, há muito anos atrás, Francisco Sá Carneiro dizia: "Podemos sentir ou não vocação para o desempenho de atitudes ou de cargos políticos, podemos aceitar ou não as condições em que estamos, concordar ou não com a forma como a intervenção nos é facultada, mas não temos o direito de nos demitirmos da dimensão política, que, resultante da nossa liberdade e da nossa inteligência, é essencial à condição de homens".  

O Partido Socialista sempre o fez na oposição, não deixará de o fazer, de forma ainda mais convicta, no exercício do poder. E, mais importante, incentivar a que todos o façam, qualquer que seja a sua condição.

Estranho para um socialista citar Sá Carneiro? Não, só é estranho numa sociedade em que os grandes homens são apoucados apenas por defenderem posições diferentes. 

 

 

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