No facilitar é que está o ganho

No facilitar é que está o ganho

Por Jorge Melo / Opinião / segunda, 16 outubro 2017 10:52

Não é uma profissão declarada mas é cada vez mais usada por quem quer chegar a um objetivo concreto.

São os facilitadores de negócio que recebem comissões chorudas por abrirem  portas, através de um telefonema, facilitar encontros, criar boa vontade, fazer lobby junto do poder político e no caso dos intermediários financeiros, até emprestam dinheiro a quem compra. Advogados, assessores financeiros e de comunicação, detentores de informação sensível, abarcam vários dossiers e estão em mais do que um processo ao mesmo tempo. Pontualmente, algumas ações deste tipo mas menos claras, de forma deliberada e fora da lei, aconteceram na “Operação Marquês”. Mas, todos os dias, sem nos apercebermos, vão acontecendo um pouco por todo o lado…

 

Aliás, um livro editado pelas jornalistas Anabela Campos e Isabel Vicente, intitulado “Negócios da China” retrata o país financeiro e económico no pós-troika, quem foram os responsáveis, quem se envolveu e quem saiu a ganhar e a perder nos negócios.

 

Os facilitadores de negócios mais reputados, que movimentam milhões, advêm principalmente de advogados, políticos ou ex-políticos mediáticos. Quem mais ganha são os bancos de investimento que cobram milhões pelos seus serviços, os escritórios de advogados ficam-se pelas centenas de milhares de euros e as empresas de assessoria de comunicação com receitas mais modestas.

 

Podem também ser chamados de assessor de negócios, ou apenas consultor. Caso flagrante é o de Durão Barroso, quando depois de deixar a Presidência da Comissão Europeia, foi convidado para consultor da Goldman Sachs e como primeira consequência, será recebido na Comissão como lobista e não como ex-Presidente.

Esta é uma classe super influente, com canais privilegiados. Naturalmente estamos a falar de um nível superior, no entanto, este tipo de atuação encontra-se noutras “divisões inferiores”, cujos facilitadores de negócios têm uma performance mais modesta e bem menos remunerada.

Os exemplos de ex-políticos, advogados, facilitadores de negócios ilustram como e porque razão o poder e a economia andam tantas vezes de mãos dadas.

 

À volta do poder existe uma outra classe “inferior” de indivíduos que também não produz, em concreto, absolutamente nada e vivem agarrados ao poder. São as “lapas bajuladoras”, digamos que são aspirantes a qualquer coisa ou desejam ganhar alguma coisa ou, pura e simplesmente, manter o que já têm. Estes indivíduos subservientes, sem caráter, que fazem do seu comportamento submisso, lisonjeador, a maneira mais fácil de se aproveitar de alguém que lhe pode oferecer alguma mais-valia, não tem opinião própria, mas sabe muito bem “sugar” o próximo, portanto tem um comportamento bastante tóxico.

As lapas bajuladoras encontram-se normalmente perto de qualquer tipo de poder e é preciso ter muito cuidado com elas! 

 

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