Bricabraque pós-eleitoral

Bricabraque pós-eleitoral

Por Raquel Costa / Opinião / segunda, 16 outubro 2017 08:37

1. O lixo: Passaram-se quase duas semanas desde que o país (ou metade, vá) foi às urnas.

Regresso a casa e, ali na rotunda do Oeiras Parque (pensem que é simbólico, pode ser uma qualquer rotunda do país) permanecem os monos. Perdedores e vencedor continuam ali, com os seus sorrisos de papel, prometendo coisas e loisas. Como Oeiras teve para lá de uma dezena de candidatos, o pandemónio de bandeirolas de plástico, outdoors a começarem a desfazer-se e poluição visual generalizada é abundante. Já somos uma democraciazinha adulta, com mais de 40 anos. Não estava na altura de a Comissão Nacional de Eleições (ou mesmo as autarquias!) imporem uma regra qualquer em relação a este lixo? Ou vamos ter de esperar pela chegada do Inverno e das chuvas para que os monos se desintegrem?

 

2. O luxo: o PS está onde e como quer. Com o PCP depauperado de câmaras e o Bloco de Esquerda com resultados tímidos, o partido liderado por António Costa tem a faca e o queijo na mão para, ou vencer sem a gerigonça caso os parceiros de coligação se ponham com esquisitices (a maioria absoluta nas legislativas de 2019 parece, cada vez mais, um cenário possível) ou manobrar os comunistas e os bloquistas a seu bel-prazer. Teremos, quase de certeza (a não ser que aconteça um cataclismo político… o que neste país, nunca se sabe…) António Costa em São Bento até 2023. Se isso é bom para o país, num momento em que o único partido a fazer verdadeiramente oposição é o CDS-PP? Não creio.

3. Laranja analógica: quando Pedro Santana Lopes era um nome sonante do panorama político português, ainda não havia internet através de fibra ótica, os telemóveis eram chaços que só enviavam sms e faziam chamadas e as pessoas ainda compravam jornais. 13 anos volvidos desde a sua infame passagem por São Bento, Santana está de volta, desta vez para disputar a liderança do PSD com o D. Sebastião dos sociais-democratas, Rui Rio. O homem do Norte, de olhar desconfiado e cauteloso, vai finalmente chegar-se à frente. Do lado de lá da barricada, terá um ex-galã das revistas del corazón, ex-presidente do Sporting, ex-autarca, primeiro-ministro efémero, despojado após escassos meses, beatificado pela dignidade da provedoria da Santa Casa da Misericórdia. A priori, o desfecho parece ser favorável a Rio mas, daqui até janeiro, tudo pode acontecer. Winter is coming, preparem as armas.  

4. Azeméis é vida. Vitória histórica, esmagadora, inequívoca do PS no concelho de Oliveira de Azeméis. Contra as expectativas de muitos (as minhas também, admito) os oliveirenses disseram inequivocamente ‘não’ a mais do mesmo. A que disseram, afinal, ‘sim’? À mudança, à transparência, ao fim de um certo status quo que teima em perdurar em todas as esferas da vida pública de Azeméis. Joaquim Jorge e a sua equipa têm uma tarefa titânica pela frente. O mais provável é que passem, devido à inevitável inexperiência, a primeira metade do mandato ‘às aranhas’. Uma coisa é certa. Se a equipa de Joaquim Jorge não apostar numa comunicação clara e transparente, num modus operandi o mais claro e aberto possível, se se fechar no clastro do Largo da República, em 2021 o disco virará… e tocará o mesmo.

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