Um balanço para a mudança em Oliveira de Azeméis

Um balanço para a mudança em Oliveira de Azeméis

Por Nuno Araújo / Opinião / sexta, 29 setembro 2017 10:08

Já falta muito pouco para o dia 1 de Outubro e, neste artigo, decidi escrever algumas considerações sobre certos aspectos desta campanha e dos projectos dos vários partidos que se apresentam às eleições autárquicas de Oliveira de Azeméis. Acredito que a partir da próxima semana, a aparente intervenção cívica de alguns cidadãos vai desaparecer, os cobardes e mesquinhos perfis falsos nas redes sociais irão morrer e cabeças vão rolar (ganhe quem ganhar). Azeméis é Vida!...

1. Sendo o nosso concelho um exemplo nacional a nível desportivo, com a Oliveirense a dar cartas em três modalidades, um Futsal de Azeméis na liga principal e largas centenas de jovens em formação, acho estranhíssimo nenhuma das candidaturas ter apresentado ideias e propostas claras a este respeito. Continuo a achar que uma das linhas estratégicas para o nosso concelho seria a afirmação nacional como capital do desporto, mas, pasme-se, tudo calado! Sou péssimo a pensar nestas coisas do desporto, mas acho inacreditável que, por exemplo, nenhum dos candidatos tenha tido a coragem de discutir com a Oliveirense sobre questões como estádio, formação, parcerias, entre outros aspectos que interessam a muitos oliveirenses.

2. De todas as candidaturas, aquela que apresentou um programa mais ou menos estruturado foi o PS. Uma visão estratégica, medidas e propostas que mostram um maior cuidado no que se apresenta à população. Quanto à exequibilidade, não sei, pois quero acreditar que fizeram cálculos, planos e projecção. Os partidos mais à esquerda fizeram “copy paste” do que apresentam no resto do país. CDS tem um candidato bem melhor do que o programa e, o PSD, preocupou-se mais com o orgulho da imagem do que com importância do conteúdo.

3. Ricardo ou Joaquim? Pessoas, pessoas e mais pessoas. O PS não tem percebido que as pessoas contam muito e que as características do candidato não são negligenciáveis. É doloroso votar em Joaquim, porque não bate o sorriso de Ricardo. É estranho votar em Ricardo quando Joaquim argumenta de forma perfeita. A eloquência arrogante de Joaquim é vencida pelo trato genuíno de Ricardo, no qual as pessoas se revêm muito mais. Mas, lá virá de novo o candidato socialista a denotar uma maior preparação nos números e dossiers. O a sério tornou-se demasiado sério. Ricardo, na proximidade com a população, bate a léguas Joaquim…

4. Equipa que não ganha muda-se. Uma espécie de lei de Murphy que o Partido Socialista esqueceu. Com excepção de Rui Luzes Cabral (a única lufada de ar fresco) o PS apresenta as mesmas caras das últimas autárquicas, coloca Ricardo Bastos como mandatário (pesadamente derrotado há quatro anos à maior União de Freguesias) e coloca Manuel Alberto a jeito para desaparecer da vida política em Oliveira de Azeméis. Por vezes até me questiono se o PS quer ganhar eleições!?

5. O PSD carrega o peso do passado no seu cabeça de lista, embora tenha tentado disfarçá-lo na equipa que apresenta. A oposição tem feito questão de lembrar esta realidade incontornável e, por mais que Ricardo tente, não há forma de esquecer algumas coisas: anos e anos de PSD criam cansaço; dívida criada e reduzida por um único partido; ruinoso negócio com a Indáqua (a este propósito partilho da opinião da CDU e BE – há que fazer tudo para reverter isto, pois a água é um bem público não passível de exploração por privados); e, a cereja no topo do bolo é sermos o segundo pior concelho do país na água e saneamento. É melhor não falar de orgulho, ok?

6. Tolerância à diferença de opinião. Este ponto, para mim, é fundamental na escolha de um líder. O que será de um presidente de Câmara que não atenta para as diferenças? Como irá reagir face a críticas? Usará o poder como um déspota numa tentativa de alinhar todos pela mesma bitola? Manter-se-á como que desentendido com os panfletários anónimos que servem os seus propósitos? Este tipo de personalidade preocupa-me e deverá merecer o repúdio de todos os oliveirenses.

Há limitações de espaço neste texto e faltarão algumas considerações, mas, guardá-las-ei para mim. Certo é que continuarei a pugnar por um concelho melhor, ganhe quem ganhar. Espero, sinceramente, que o próximo presidente e respectiva equipa se foque nos interesses do concelho e das suas gentes.

 

A mudança que apelo neste título não é aos nossos políticos, mas sim a todos nós. Nunca deveremos, em tempo algum, deixar de procurar o espaço público para o exercício da cidadania; temos que estar vigilantes e atentos face a eventuais planos que atentem contra o interesse público; não tenhamos medo de dizer o que nos vai na alma quando sabemos que algo está mal; deixemos as lealdades partidárias para segundo plano e defendamos aquilo que beneficia o bem estar social; sejamos mais exigentes com aqueles que nos governam; em suma, e orgulhosamente a sério, vamos à mudança!

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