Vote!

Vote!

Por Bruno Aragão / Opinião / sexta, 29 setembro 2017 09:56

No próximo dia 1 de Outubro há eleições. São as décimas segundas eleições municipais em pouco mais de 40 anos. As primeiras foram em 1976 e apenas 25% dos eleitores de hoje poderiam ter votado nessas primeiras eleições.

Talvez pela esperança desse tempo, talvez pelos anos de ditadura, ou talvez pela novidade, a participação foi muito expressiva. A convicção de que um voto poderia fazer a diferença mobilizava as pessoas. Nem todos estavam do mesmo lado, às vezes nem se percebiam os lados, mas todos sentiam o poder do voto. É desse tempo de verões quentes que ecoa a ideia de que o voto é a arma do povo.

Hoje as pessoas sentem pouco o apelo do voto e participam menos, apesar de haver muito mais informação. Curiosamente são ainda as pessoas mais velhas as que mais participam. Pode ser por hábito, acredito que não.

Não é fácil convencer as pessoas a votar, explicar a importância do momento ou as suas consequências.

Nas últimas eleições quase metade dos portugueses não votou. Quase 50% dos eleitores optou por se abster e a abstenção é uma resposta que não podemos ignorar. Podemos procurar explicações no futebol quando há futebol, na chuva quando há chuva ou no calor quando há calor. Não podemos é ignorar uma resposta silenciosa da sociedade que prefere não escolher as lideranças.

Haverá certamente razões diferentes, mas foi-se criando um discurso de que é tudo igual, que não há diferença, que é tudo a mesma coisa. Há a percepção de que os políticos são todos iguais, que querem todos a mesma coisa. Seguramente não é assim.

Nunca vivi uma revolução, não participei no 25 de Abril, não fugi à PIDE e, no meu tempo, já nem se ia à tropa. O mais próximo que tenho de tudo isto é aquele momento de liberdade ao pôr a cruzinha onde bem me apetece e sem que ninguém tenha nada a ver com isso. É a possibilidade de me envolver na campanha, de gritar slogans gigantes, de distribuir panfletos. É a possibilidade de, quando eleito, defender ideias até à exaustão, perder a razão às vezes, mas nunca o sentido.

 

Talvez por isso tenha muita vontade de lhe dizer para votar, caso pense não o fazer. Não o tentarei sequer convencer a votar neste ou naquele partido. Simplesmente vote e participe. Acredite que pode fazer História e que o seu voto escreve histórias.

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