É preciso dar pausas aos nossos dias!

É preciso dar pausas aos nossos dias!

Por Isabel Brandão / Opinião / sexta, 29 setembro 2017 09:46

Ultimamente tenho observado e presenciado um verdadeiro campo de batalha, tanto na nossa cidade, como no nosso país, tendo em conta o tempo que se diz de campanha eleitoral.

Quebram-se regras, exaltam-se ânimos, utilizam-se todas as armas, vale tudo…e na maior parte das vezes, perde-se tempo…

Mas não, não vou falar de política, tão pouco saberia fazê-lo com o conhecimento e maestria necessária, que, penso, devem ser usados em tal assunto. Mas toda essa azáfama, agitação e interesse por parte das pessoas fez-me pensar que afinal temos tempo… mas nem sempre para aquilo que seria mais importante.

Vivemos dias agitados, e, não obstante a campanha eleitoral, julgo que é uma era de agitação constante, atividades desenfreadas, compromissos com prazos curtos e apertados, programações intensas, atolados em afazeres, em obrigações, focados em datas limite para quase tudo.

Não há tempo a perder, não podemos perder tempo, e damos conta frequentemente da nossa irritação, com o trânsito, com aquela pessoa que não pára de falar, da empregada do café que demora uma eternidade e com quase tudo que possa constituir obstáculo ao nosso caminho e nos faça “perder tempo”.

Temos pressa, queremos tudo para ontem, o dia esvai-se em correrias; levar os filhos à escola a correr, ir para o empego a correr, almoçar a correr…voltar a casa a correr, as compras, o jantar, a casa desarrumada, a roupa, o gato, o cão, o banho… os miúdos… e fica sempre algo por fazer…” nunca mais é fim de semana!” … e o sol volta a nascer, outro dia, outra luta, outra corrida contra o tempo.

Até as crianças já têm os dias sobrecarregados pelas “obrigações” e “compromissos”, com a escola, o ATL, o ballet, o futebol, a piscina, a catequese, quase não sobra tempo para brincar!

 E então? E o fim de semana? Demora?

Mas o tempo passa a correr, já não é como outrora, quando demorava uma “eternidade” para chegar ao Natal, e o aniversário tardava “séculos” a acontecer!

Vivemos à espera, pelo meio da correria, quase como um ciclo vicioso. Primeiro, esperamos sempre os fins de semana, depois, numa escala diferente, esperamos o carnaval, a páscoa…as férias… passam as férias e esperamos o Halloween (agora também fazemos isso), depois disso o natal esta à porta e a seguir o ano novo… e… certo… lá vamos nós outra vez…e quando damos conta, passaram anos, décadas, uma vida…

E os momentos de tranquilidade, de brincadeiras, de convívio, de estar em paz?  Quantos foram?

E os filhos cresceram, já “correm” sozinhos, já fazem parte da engrenagem que lhes demos a conhecer e damos conta que já não temos tempo. Passou..

Onde foi que paramos um pouco a vida agitada e usufruímos de coisas quase esquecidas? Onde ficaram os dias comuns? Aqueles que são reconhecidos como cansativos, tediosos, maçantes e enfadonhos até? Sim, porque nesses dias não acontece nada, mas é neles que podemos parar, dedicar o nosso tempo à família, aos amigos, à natureza, a nós mesmos. É neles que restauramos a alma, na beleza dos dias comuns e são esses dias que devemos procurar ter ao longo da vida.

A vida necessita de pausas e nós também…

 

 

 

 

 

 

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