“Desde que vi um porco a andar de bicicleta…”

“Desde que vi um porco a andar de bicicleta…”

Por Jorge Melo / Opinião / sexta, 15 setembro 2017 15:21

Sempre gostei de observar as pessoas, encanta-me descobrir ou palpitar o tipo de pessoa que observo, é como um passatempo constante para mim. Quando era jovem estudante no Porto, passava longos minutos na rua Santa Catarina a observar as pessoas a passar.

Julgo que esse treino, esse gosto de observar as pessoas faz com que não me engane acerca da personalidade das pessoas, daquelas características mais à superfície, é claro. Mas por vezes esses enganos acontecem, porque as pessoas aprendem cada vez melhor a esconder essas características mais superficiais da personalidade.

Tudo isto para dizer que o ser humano é cada vez mais dissimulado, mentiroso, egoísta, egocentrista e com uma grande falta de personalidade!

O umbigo é cada vez mais o elemento central do ser humano, o eu-ismo, ou a arte de olhar apenas para o próprio umbigo, consiste em passar a vida falando em tons de eu, mas se aumentarem a visão do umbigo, verão que ele não é o centro do universo.

A expressão “palavra de honra” é cada vez mais rara de se cumprir, a “honra” anda de rastos hoje em dia! Assim como a amizade, a palavra “amizade” tem um significado cada vez mais vago, mais distante, mais instantâneo. Aliás, julgo que vivemos num mundo “fast”, não é só na comida, é também nas relações, nos princípios, nas verdades, nos objetivos, na lealdade, nas crenças, nas promessas, nas escolhas, etc. A falta de escrúpulos e de princípios para alcançar nesta vida o que não se pode levar para a outra é gritante!

Calma, não é tudo assim tão mau, felizmente e por estranho que possa parecer, existe uma corrente crescente que contraria o pessimismo inicial, pessoas a criarem e a aderirem cada vez mais a movimentos de solidariedade. É curioso perceber esta atitude contrária, solidária que requer naturalmente uma consciência humanista, segundo Sennett “As ruas tornam-se desumanas quando domina a rigidez, a utilidade e a competição. Tornam-se humanas quando promovem interações informais, sem limites prefixados, colaborativas”.

O exemplo mais flagrante deste crescente humanismo e dos seus movimentos, acontece com a crise dos refugiados, o esforço coordenado para encorajar os governos a facilitarem a movimentação de migrantes (em benefício de todos!) é uma realidade assim como, o esforço para um desenvolvimento centrado na pessoa humana como protagonista central e principal beneficiária. A solidariedade e o humanismo existencial, ou seja, antes da essência humana(raça, cultura), é o caminho a seguir para salvar a humanidade do colapso anunciado.

Quer queiramos, quer não, a política, os políticos, os agentes económicos, são aqueles que podem e devem assegurar que a tomada de decisão constitui um reforço e um incentivo a estas correntes humanistas e solidárias, porque o mundo só se salva se olharmos para a humanidade de forma existencial, despido de etiquetas e preconceitos.

 

Utópico? Talvez, mas “desde que vi um porco a andar de bicicleta”, acredito que tudo é possível! 

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