Sou, orgulhosamente, Oliveirense!

Sou, orgulhosamente, Oliveirense!

Por Isabel Brandão / Opinião / sexta, 15 setembro 2017 14:51

Lembro-me de apenas um canal de televisão, onde pouco mais do que concursos, alguns desenhos animados e os famosos filmes portugueses, passavam. As notícias, essas, eram passadas a pente fino antes de serem editadas. Um lápis azul escolhia o que o povo deveria saber e o que teria que ficar oculto para “bem da sociedade” (a ignorância faz as pessoas sempre mais felizes).

Hoje em dia, as notícias e toda a informação é revista e editada, mas, em vez de um lápis azul, é usada uma enorme paleta de cores, onde se busca, não a informação fiel dos factos, mas a procura de audiências e o sensacionalismo.

Somos diariamente trespassados com noticiários que quase raiam a estupidez e a esquizofrenia. Comentadores, analistas, psicólogos, pseudo especialistas e profissões semelhantes invadem as nossas casas e somos obrigados a absorver, por vezes, o gosto mórbido e desequilibrado de tantos que, na sua maioria, e na minha modesta opinião, se limitam a ladrar (e os cães ladram e a caravana passa).

Erguem-se palcos de politiquices, mesquinhices e paranóias doentias e obtusas, com todos eles cobertos de razão e nenhum com razão alguma, a transbordar de solidariedade limitada e veneno sem medida.

Faltam mais atos, mais ações, falta verdadeira revolta e sobram falsos moralismos, nesta terra de gente de língua afiada e espada em punho, sempre pronta a deixá-la descer no pescoço de alguém (não importa quem).

Somos Oliveirenses, orgulhosamente (pelo menos eu), portugueses, temos em nós o sangue de guerreiros, conquistadores e poetas, a força das gentes que lutavam por ideias, por causas nobres e territórios, gente que queria ser e foi grande. Somos tão únicos, tao sábios, que fomos capazes de fazer uma revolução com cravos (brancos). Conquistamos a nossa liberdade com flores!

E então? Onde estão esses valores? Esses genes? Esses ensinamentos que carregamos em nós, que correm nas nossas veias?

Ficou apenas o comodismo, a paz da zona de conforto. Parece que não evoluímos muito desde então, apenas “deixamos andar”. Alguém fará, alguém…. Aquilo que fica para lá do comodismo, é apenas e o que pensamos, e falamos.

E como diria Saramago:

“ (…) o que cada um de nós deve fazer em primeiro lugar é respeitar as suas próprias convicções, não calar, seja onde for, seja como for (...)”, consciente no entanto que isso por si só não muda nada e que ao fazê-lo temos apenas uma única certeza, a de que realmente não estamos a FAZER NADA e não mudaremos NADA.

 

O importante é agir.

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