Debate e campanha

Debate e campanha

Por Raquel Costa / Opinião / sexta, 15 setembro 2017 14:40

Falta menos de um mês para irmos às urnas e decidirmos os destinos das nossas autarquias. De norte a sul do país, nas ilhas, vamos ser chamados a exercer o que, mais do que um direito, é um dever. Um poder. O poder de decidir.

É bom que não nos esqueçamos disso. Temos o poder de decidir. Está nas nossas mãos. Se não forem votar, depois não se queixem. Depois, não gastem o vosso tempo com ladainhas inglórias no Facebook, com lamúrias e queixinhas nas conversas de café. Se não forem votar, perdem essa legitimidade. Querem ser levados a sério como cidadãos? Ajam como tal.

Regressando à política: ouvi com atenção o debate (?) na Azeméis FM com os cabeças de lista. Coloco um ponto de interrogação porque, de debate, nada teve. Deixar nas mãos dos candidatos a possibilidade de colocarem perguntas uns aos outros é o oposto do que um debate tem de ser. Quem faz perguntas é o moderador. Ponto final. Enfim, escolhas editoriais que espero que sejam corrigidas nos próximos debates. Adiante.

O que ouvi foi bizarro. Ninguém falou sobre o elefante na sala: a demissão de Hermínio Loureiro, a implicação deste num caso de corrupção, a saída posterior de Isidro Figueiredo, cujo nome também está associado ao Ajuste Secreto, do cargo de presidente da câmara e as consequências que essa sucessão de acontecimentos vai ter nas próximas eleições. Foi como se nada tivesse acontecido. Estranho.

Ouvi o desfiar de uma série de nomes das listas, apresentados com pompa e circunstância, muitos doutores e engenheiros, gente bestial. Descobri depois que existe até uma ex-concorrente de um reality show numa das listas! Modernices.

Falou-se de coisas que não interessam nem ao menino Jesus e de assuntos que realmente preocupam os oliveirenses: no topo desta lista a privatização do fornecimento de água no concelho, o saneamento e a capacidade do concelho de atrair investimento e, assim, gerar mais postos de trabalho.

É inequívoca a falta de à vontade de Ricardo Tavares, empurrado para um papel no qual, provavelmente, nunca desejou estar. Joaquim Jorge fala com a perigosa segurança de quem acha que já ganhou. CDS-PP, PCP e Bloco de Esquerda fizeram o que tinham a fazer.

Faltou e falta o essencial: ver estas pessoas nas ruas do concelho. Compreendo que deva ser difícil enfrentar o contato direto com as pessoas (sobretudo se não houver arruadas pré-preparadas, cheias de figurantes recrutados às juventudes partidárias). Mas é essencial. Porque todos os candidatos são ilustres desconhecidos para a esmagadora maioria dos oliveirenses. E os que votam religiosamente de 4 em 4 anos não são definitivamente aqueles que teclam fervorosamente nas redes sociais.

São aqueles que, como denotava e bem um amigo oliveirense, ainda acham que Hermínio Loureiro é presidente da câmara.

São esses que é preciso conquistar.

E agora, candidatos? Vão sair à rua ou vão ficar em casa a fazer posts no Facebook?

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