Let the games begin!

Let the games begin!

Por Raquel Costa / Opinião / quinta, 24 agosto 2017 13:22

Fareja-se o sangue no ar. A atmosfera é densa, quase irrespirável. A tensão é palpável. Afiam-se as facas no amolador, limpam-se os canos das espingardas, carregam-se os barris de pólvora, calçam-se as melhores ferraduras aos cavalos.

Apertem os cintos, caros senhores, as autárquicas vão começar!

Tenho assistido à distância, com algum assombro e bastante divertimento - confesso - a este desenrolar único do período pré-campanha em Oliveira de Azeméis. É estranho - e também maravilhoso - observar uma comunidade a tomar contacto pela primeira vez com a democracia e a liberdade de expressão... 43 anos depois do 25 de abril (pormenores).

Como não devo nada a ninguém e duvido que alguma vez me ofereçam alguma coisa, posso dar-me ao luxo de dizer tudo como os maluquinhos. E esse tudo é o acordo tácito que existiu nos últimos 40 anos no nosso concelho: uma espécie de "são 11 para cada lado e no final ganham sempre os mesmos".

O monoteísmo ideológico, emparelhado com o monopólio empresarial, criaram esta lógica perversa na cabeça das pessoas: "para que é que eu vou votar nos outros se ganham sempre os mesmos?". Ou, pior ainda: "e se descobrem que eu votei nos outros?"

As réstias pidescas do passado não são património exclusivo de Oliveira de Azeméis. É um lastro que perdura no nosso país, um cheiro a ovos podres que teima em não sair.

Mas, pelas trocas animadas de insultos no Facebook percebe-se que a malta oliveirense está a sacudir o medo do capote e a ganhar pelo na venta. Até já existe uma página de humor chamada Relíquias de Azeméis!

Até 1 de outubro muita água há-de correr no Antuã. Até lá, vou-me empolgando com os acontecimentos de Azeméis.

 

Nota: estou atualmente a viver no concelho de Oeiras. Também está a ser divertido.

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