Há muita coisa que não acontece

Há muita coisa que não acontece

Por Bruno Aragão / Opinião / quarta, 02 agosto 2017 16:20

A beleza da democracia é a capacidade de se reinventar a cada ciclo, de se avaliar e de se corrigir. O que realmente nos deve mover não são os factos mediáticos que vão acontecendo, mas antes o que não acontece. E há muita coisa que não acontece.

Há oito anos o PSD apresentou em Oliveira de Azeméis o seu mais destacado elemento. Houve promessas gordas para um novo tempo, a maior de todas a cobertura a 100% das redes de água e saneamento. Nessa altura estávamos prestes a iniciar o pagamento do empréstimo que justificou um dos primeiros planos de saneamento financeiro do país, uma espécie de troika municipal.

Fiquemos pelos factos. Em oito anos o município teve orçamentos que, somados, rondam os 300 milhões de euros. Desses 300 milhões utilizou 10% para pagar a dívida a que está obrigado, ou seja, pagou cerca de 30 milhões. Neste período houve mais dinheiro para gerir, sobretudo porque juros historicamente baixos pouparam milhões ao município, mas também porque arrecadámos mais receita em impostos. Com mais dinheiro e melhores condições, o que aconteceu? Ou melhor, o que não aconteceu?

1. Não aconteceu a rede de água e de saneamento. Não aconteceu muito, nem pouco. Não aconteceu nada. Somos um dos concelhos mais atrasados do país e ariscamo-nos a ser o pior.

2. Não aconteceu nenhuma das grandes obras previstas no Plano Director Municipal, nem sequer a conclusão da via do nordeste. 

3. Não aconteceu o Cine-Teatro Caracas, que se degradou cada vez mais.

4. Não aconteceu a requalificação de nenhum edifício público na cidade.

5. Não aconteceu uma solução para os Paços do Concelho, para diminuirmos o volume brutal de rendas que pagamos.

6. Não aconteceu uma solução definitiva para os Estaleiros Municipais, o mínimo depois de um negocio ruinoso de anos.

7. Não aconteceu praticamente nada de novo e o que se foi concluindo já vinha de trás – o Parque do Cercal, a requalificação do Parque La-Salette ou a Zona de Acolhimento Empresarial Ul-Loureiro.

8. Não aconteceu nada novo, a não ser mortes prematuras: a Fundação La-Salette e a GEDAZ.

9. Não aconteceu nada de novo no rigor e na exigência: não houve vontade política de perceber o que aconteceu no Centro de Línguas a mais de meio milhão de euros que simplesmente desapareceu.

 

Temos um tecido empresarial que é fundamental para o nosso desenvolvimento, temos associações dinâmicas e temos gente de trabalho, porque não podemos ter o que nunca tivemos: uma gestão autárquica capaz de potenciar verdadeiramente este concelho?

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