Fogos que matam

Fogos que matam

Por Jorge Melo / Opinião / segunda, 03 julho 2017 00:00

Já muito se falou e se irá continuar a falar até ao final do verão o que se fez e o que não se fez, o que se tem e o que não se tem, o que se deveria ter mas não se tem, de quem é a responsabilidade e quem é irresponsável, quem se devia demitir e não se demite.

[quote width="auto" align="left" border="#03a9f4" color="#333" title="Jorge Melo"] [...] de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos. [/quote]

 

 

 

Já muito se falou e se irá continuar a falar até ao final do verão o que se fez e o que não se fez, o que se tem e o que não se tem, o que se deveria ter mas não se tem, de quem é a responsabilidade e quem é irresponsável, quem se devia demitir e não se demite.

No próximo verão, se acontecer mais alguma desgraça, vamos ouvir a mesma cassete com as mesmas, ou outras vozes! Infelizmente tem sido assim ao longo dos anos, sendo Portugal o país europeu com mais área ardida apesar de, em termos de área territorial, sermos dos mais pequenos.

Bem vestido, com o seu fato impecável, foi o líder da oposição, do PSD, visitar Pedrógão ardido, sofrido e dar mais um “tiro no pé”! Com a ânsia de beliscar o Governo, que esteve mal em alguns aspetos, o líder da oposição escolheu usar publicamente uma informação falsa e completamente inoportuna ao referir que já havia suicídios devido à falta de apoio nomeadamente psicológico. Enfim, inúmeros aspetos negativos, de situações que correram mal, tendo usado uma informação de “conversa de café”!

Fogos que matam 64 pessoas, ferem mais de uma centena e queimam casas, carros, já não deviam acontecer num Portugal que nos dá a ideia de ser muito voluntarioso, humanitário, mas pouco profissional e com meios técnicos deficitários e escassos meios humanos.

Além de ter ardido quase 53 mil hectares de floresta foi inacreditável como é que morrem cercadas pelo fogo cerca de 47 pessoas numa estrada nacional ouvi eu uma expressão que nunca pensei ouvir: “Excessivo voluntariado”. Mas que chatice, o voluntariado tem de ser na dose certa! Não se pode ter um voluntariado por defeito, nem um voluntariado excessivo!

Pois, “de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”, deve ter pensado a Ministra! Mas em Espanha, lá para o sul, perto de Huelva, tiveram de ser retiradas cerca de duas mil pessoas de suas casas por causa de um incêndio de grandes dimensões e apenas morreu um lince (espécie protegida) devido ao stress de ser retirado do seu habitat. As autoridades Espanholas têm com certeza uma outra forma de comunicar num cenário de emergência e que funciona!

A grande diferença no combate a estes dois incêndios é que no lado espanhol foram usados 21 meios aéreos e no terreno 550 operacionais, enquanto, que no cenário português foram usados no máximo 10 meios aéreos (vindos de França, Espanha, Itália e Marrocos) e a certa altura mais de 1.000 operacionais no terreno.

Claro que tem importância a cultura economicista do eucaliptal. Vê-se eucaliptos em todo o lado porque crescem rápido e dão dinheiro mas também ardem com muita facilidade! O eucalipto e essas plantas invasoras crescem à sua vontade perto de casas, das estradas e nada é feito, talvez porque a legislação em vigor não é suficientemente punitiva para fazer com que os particulares e o próprio Estado cumpra com as distâncias e as limpezas, numa perspetiva de prevenção.

Um voto de pesar e sentidas condolências pelas famílias que se perderam e pelas crianças mortas por causa de um incêndio e que, por vários motivos, não fomos capazes de as proteger.

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