"Várias gerações passaram e passam por aqui"

"Várias gerações passaram e passam por aqui"

Por / Negócios / segunda, 03 julho 2017 00:00

É no ano de 1983 que começa a história da pastelaria oliveirense Gemini, com a abertura do Café Gemini, inaugurado ao mesmo tempo que o Edifício Gemini se encontrava ainda em construção.

Dois anos depois, em 1985, foi a vez da Pastelaria Gemini abrir ao público. 

“Tendo em conta a população e as exigências da cidade, que então experimentava um incremento, o saudoso fundador da Pastelaria Gemini, Manuel Ferreira Pinto, achou que era necessário fazer mais alguma coisa para além do café”, conta Carlos Marques, gerente e dono do Gemini. “Então, para complementar o café que já existia, quis fazer uma sala de chá e pastelaria”.

Aquando do seu surgimento, o salão de chá dirigia-se “às senhoras, senhores e casais” que quisessem desfrutar da sala. O Gemini nunca deixou, contudo, de acompanhar a evolução dos tempos. “Já passaram por aqui várias gerações. Estamos inseridos numa zona estudantil, onde há professores e alunos, onde existiu o extinto posto médico e em que circulavam, no antigo Largo Gemini, pessoas de muitos escalões de índole etária, intelectual e profissional”, refere o gerente e dono do estabelecimento. Segundo Carlos Marques, as circunstâncias sociais obrigaram a algumas mudanças na pastelaria. “O salão de chá, com toda a etiqueta de dois pratos, dois pires e um bombom não se compadecia com o tempo, as exigências, a velocidade e a pressa das pessoas”.

O Gemini foi também criando pratos, como o hamburger e o cachorro quente, de fabrico próprio, com pão característico. “Tivemos de complementar a nossa oferta com refeições rápidas, porque existiam e existem professores e alunos que têm pouco tempo para almoçar”, reforça o gerente.

Um período de particular dissabor veio, todavia, com o fecho do Cinema Gemini. Mas não só.

Obras no Largo do Gemini quebraram negócio

Outra quebra acentuada no negócio teve lugar durante as obras de construção da Praça da Cidade e do subterrâneo. “Houve anos muito preocupantes em termos financeiros, mas conseguimos ultrapassar essa fase”, refere Carlos Marques. Com o fim do trânsito e o surgimento da zona pedonal junto à pastelaria vieram vantagens, assim como contrariedades. “É óbvio que essa mudança nos tirou um pouco o movimento de, por exemplo, clientes que têm pressa de comprar e levar. Contudo, temos agora uma zona pedonal muito boa, óptima para quem tem crianças e vem com elas desfrutar da esplanada”. Por outro lado, a criação da FanZone veio gerar fluxo, com a cidade a convergir para aquela zona em determinadas alturas.

 “É nessas vezes que compensamos a falta de negócio no inverno e o prejuízo devido ai facto de já não passar trânsito na zona pedonal. Nestes dias temos de fazer como a formiguinha e amealhar”.

Os últimos tempos trouxeram algumas mudanças no que toca ao aspecto visual da pastelaria, mais concretamente ao nível do mobiliário. “Fi-lo sem querer desvirtuar o que é a imagem do Gemini, porque acho que é uma imagem que vai ficar para a história”, afirma o dono do estabelecimento. “Presumo que acertei no mobiliário, que se integra num estilo vintage, de forma a manter a traça original da pastelaria, com um mobiliário que é mais confortável”, aponta.

Uma casa de iguarias únicas

O Gemini dispõe de iguarias típicas, que há muito se configuraram como sua imagem de marca. “Criámos o famoso croissant francês. Já vêm de alguns cantos do país pessoas à procura do Gemini por causa dos seus croissants”. Para além da pastelaria diversa e fina, a casa oferece igualmente biscoitaria secular, nomeadamente um biscoito originário de Oliveira de Azeméis, cuja receita foi adquirida pelo estabelecimento à Dona Berta – que os mais velhos recordarão -, e patenteada.

Carlos Marques não teme a concorrência, pelo facto de cada um fazer o seu trabalho à sua maneira, com os produtos disponíveis no mercado.

Para o gerente, a filosofia de manter a tradição do passado e de manter a qualidade é chave para não recear a concorrência. “Em grande parte da nossa produção ainda trabalhamos à antiga portuguesa, artesanalmente. Fazemos quer as massas para os bolos, quer os cremes, para manter uma certa diferença em relação à velocidade que existe agora no mercado”, explica.

“Temos clientes que há 30 anos eram crianças ou eram pais, alguns já são avós e netos”, recorda Carlos Marques. “Quero agradecer a essas gerações que têm passado por cá e que são fiéis ao espaço Gemini. Para os que não conhecem e pouco frequentam, que venham cá porque são bem recebidos, de braços abertos, com um sorriso, sempre com boa disposição e num espaço que é único e convidativo”.

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