Ricardo Pereira: “A única mágoa que levarei é se não conseguir deixar o Cambra na 1ª divisão”

Por / Entrevistas / sexta, 08 abril 2016 00:00

Ricardo Pereira, carismático guardião do HA Cambra, anunciou esta semana que no final da temporada dará por encerrada a sua carreira desportiva no Clube. Mas como ‘até ao lavar dos cestos ainda há vindimas’, promete profissionalismo e empenho até ao fim de “uma época que tem sido muito aquém do previsto” disse, em entrevista ao ‘Cidades’. Sem levantar o ‘véu’ sobre o seu futuro na modalidade, admite que o hóquei “é uma paixão” mas… “o tempo o dirá”.

O Ricardo anuncia o termo da carreira no clube. Quais os motivos?

As razões que me levam a colocar um ponto final ao meu vínculo com o HAC são principalmente de cariz pessoal. Passei aqui grandes momentos onde ganhei dois títulos importantes, Taça de Portugal e Campeonato Nacional da Segunda Divisão, do qual me orgulho muito, mas há horas em que temos de nos sentar e pensar no nosso futuro e este foi, a meu ver, o melhor momento para o fazer.

 

Sem mágoas?

Obviamente que não levo mágoas. O HAC para mim é será para sempre uma família, onde cresci como ser humano e como profissional e onde fui durante muito tempo feliz.

A única mágoa que levarei e que me deixará um vazio enorme é se este ano não conseguir deixar o Cambra na 1ª divisão. Mas infelizmente as coisas não têm corrido bem por inúmeros fatores sobre os quais não me quero alongar.

 

Deixa em aberto a possibilidade de continuar a jogar, noutro clube?

A alta competição é algo que adoro, adoro competir, foi essa motivação que me acompanhou sempre, não poderei admitir já o meu afastamento total da Modalidade. Neste momento apenas estou focado no HAC e continuarei como até aqui a dar o meu melhor, pois não sei estar neste desporto de outra forma. Por agora a decisão foi terminar a ligação ao Clube no final da temporada, sem olhar ou estar à espera de outras situações.

 

Anunciada a decisão, ainda que recentemente, já foi abordado por outros clubes? Quais?

Quando dás o melhor sempre que entras em campo, é normal que alguém te possa valorizar. Até porque as pessoas só nos veem a jogar ao fim de semana, muitos não imaginam o sacrifício e esforço que se faz durante a semana para que as coisas possam correr pelo melhor no jogo. Relativamente a outros Clubes e abordagens, não existe nada de concreto.

 

O Cambra está ainda na Taça de Portugal e, avizinhando-se essa deslocação ao recinto do Parede, que antevisão faz da partida?

Vai ser uma partida dificílima pois com o adiantar da prova não há equipas fáceis. O Parede vem duma moralizante vitória sobre o Sesimbra, que milita no campeonato nacional da segunda divisão, por 8-4, o que demonstra que esta equipa da III divisão poder-nos-á perfeitamente bater o pé, pois com humildade e com muita luta e entrega tudo se pode conseguir.

Para que tal não aconteça teremos que ser uma verdadeira equipa e teremos de deixar tudo em campo, terá que haver crença e muita entreajuda para que possamos levar a bom porto o nosso barco.

 

O Cambra parte como favorito para o encontro?

A meu ver não existem favoritos nestes encontros, pois Taça é Taça, jogo único, mesmo número de jogadores, sempre verdadeiras finais em que tudo poderá acontecer.

O favorito, a meu ver, será aquele que o demonstre inequivocamente em campo.

 

O objetivo é passar à fase seguinte da Taça? Ir mais longe?

Vamos passo a passo e logo se vê. É claro que temos a ambição de passar aos quartos-de-final, mas temos que ter consciência que as camisolas não ganham encontros mas sim quem as veste.

Logo, teremos de dar tudo em campo de forma a honrar o bom nome do nosso clube.

 

Embora a temporada ainda esteja a decorrer, que balanço faz da campanha do HA Cambra em 2015-2016?!

Esta época tem sido muita aquém do previsto, uma verdadeira desilusão. Quem é campeão da 2º divisão certamente que tem potencial humano para lutar por um lugar mais condizente com os pergaminhos do clube que não o último.

O porquê de tal estar a acontecer poder-se-á explicar por alguma falta de sorte mas também por alguma falta de calma nos momentos decisivos dos jogos pois temos várias vezes facilitado nos instantes finais das partidas, como aconteceu ainda no passado fim-de-semana em Paço de Arcos em que acabamos por perder nos instantes finais através de uma grande penalidade.

Por último e não menos importante terá que se dizer que as equipas este ano se reforçaram de sobremaneira, tendo este campeonato uma enorme qualidade.

 

Penso que para este regresso à primeira divisão o Cambra apenas se reforçou com ex-juniores. Acha que deveria ter sido feita outra aposta para tentar, pelo menos, a manutenção?

A direção deixou bem claro desde o início que teríamos de contar com o que tínhamos, subiriam ex-juniores para a equipa principal para tentarmos ficar na primeira divisão.  O HAC não tem por hábito “viver acima das possibilidades”, e como tal decidiram fazer uma aposta na prata da casa.

As diversas lesões que temos tido ao longo da época não têm ajudado, mas também acho que existe por parte de todos uma descrença perante as vicissitudes com que nos temos deparado ao longo desta época para a qual contribui a falta de resultados positivos.

 

Sente que de alguma forma, muitos dos clubes ditos mais pequenos ombreiam, em talento, com outros dos chamados ‘grandes’, mas que acabam por ‘abafar’ com o decorrer do jogo, por falta de preparação física de nível profissional?

Claro que sim, uma coisa é treinar focado apenas na competição desportiva. Outra coisa é trabalhar todo o dia, sair do trabalho e ainda ir treinar até tarde.

Por muito que queiramos não se consegue “ombrear” com esses ditos clubes que apenas vivem para o hóquei.

Para que o tal “abafar” não aconteça numa equipa como a nossa, temos de ser os primeiros a querer estar em forma, tentar a superação diariamente, para que tais diferenças não sejam tão visíveis e acentuadas.

Terá também que existir um banco de suplentes que te possa ajudar a qualquer momento, seja para manter a qualidade de jogo ou em momentos que seja necessário oferecer um estímulo positivo ao jogo. Mas para isso temos de estar todos preparados, tanto físico como mentalmente!

 

Por experiência própria, é difícil conciliar uma atividade profissional extra-hóquei com a modalidade, sobretudo numa primeira divisão? Até que ponto?

Não imaginam o cansaço físico e psicológico que um jogador dito “amador” apresenta ao final do dia depois de um longo dia de trabalho e ainda ter que treinar até altas horas.

Para além da parte pessoal vem também a vertente familiar, pois para que se possa trabalhar e treinar, fica a maior parte das vezes a tua família um pouco “de lado”, a qualidade de vida familiar fica comprometida. Mas graças a Deus tenho uma família fantástica que sempre me apoiou e que nutre, tal como eu, uma grande paixão pelo hóquei em patins.

 

Pondera a hipótese de continuar ligado ao hóquei, como treinador, por exemplo?

 

Claro que sim! Por que não, se o hóquei patins é para mim uma grande paixão? Creio que poderei num futuro próximo tentar passar toda a minha experiência e vivências para outros que as queiram viver, o tempo o dirá. Para já estou unicamente a pensar e focado no jogo do próximo sábado com o Parede e em honrar como sempre o fiz a camisola do HAC até ao fim.

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