O duelo das medicinas: “Há muitos lóbis a trabalhar isto tudo”

O duelo das medicinas: “Há muitos lóbis a trabalhar isto tudo”

Por / Entrevistas / sexta, 12 fevereiro 2016 00:00

O relacionamento entre medicinas tradicionais e alternativas não tem sido pacífico, mas o paradigma começa a alterar-se. Os lóbis ainda se vão impondo, mas a regulamentação do sector ajuda a conferir à naturopatia mais arcaboiço para enfrentar “outros interesses”, como lhes chama Manuel Vieira, da Ervana.

A área das terapias alternativas já é bem regulamentada? Reparei que tem uma certificação nesta área…

Sim, é bem regulamentada. Através do Ministério da Saúde, agora já está melhor com normas e leis. A partir de 02-09-2013, já tudo mudou, têm que se ter carteira profissional, cédula profissional, seguro e estar inscrito nos respetivos ministérios. O reiki para já não, não sei até que ponto vai ser enquadrado.

O que é estranho porque já há serviços de alguns hospitais em que as enfermeiras utilizam o reiki.

Sim usam. Mas a nível legal só estão 6 organizadas.

Porque é que é tão complicado regulamentar estas áreas?

Há muitos lóbis a trabalhar nisto tudo. Nós somos pequeninos e há outros grandes. Fala-se hoje em duas ou três medicinas mas na verdade é só uma, só que há quem esteja à frente noutras, com mais interesses.

É a questão dos interesses financeiros?

Exato.

Mesmo no tratamento de algumas situações mais graves, como o cancro?

Sim. Mas o nome cancro para mim não me assusta. O que me assusta são as tais situações mal atadas nas células. Se não se trabalhar bem as células todo o nosso corpo começa a ser degenerativo.

Acha que a quimioterapia é um tratamento demasiado agressivo para a célula?

Poderá ser. Obtém alguns resultados, mas essa parte ficará mais para outros profissionais.

Muitas vezes recorre-se às terapias alternativas como auxiliar da quimioterapia?

Sim.

E como é que o organismo se poderá socorrer destes tratamentos naturais para aguentar melhor a quimioterapia?

Lá está, temos que dar energia à célula. Se não trabalharmos as células boas, como é que podemos trabalhar as bactérias? Se as bactérias entram a célula tem que ter resistência. Depois há a alimentação, para o paciente ter força para reagir.

É importante então um doente oncológico fazer uma boa alimentação?

Sim, e fazer suplementos adequados para essa parte. Não é só tomar suplementos por tomar. Há vários produtos que temos, adequados para combater o cancro, ou até a SIDA.

E aqui é possível encontrar todos esses tipos de serviços, produtos e suplementos?

Neste espaço o paciente encontra sempre soluções. Temos que ajudar sempre o ser humano a melhorar. Temos que ajudar a pessoa em si. Porque a pessoa quando lhe dizem que está com um cancro, ela fica logo desesperada. É preciso o tal apoio, psíquico, físico, o tal suplemento, alimentação e o tal ombro amigo.

O tratamento que um doente ande a fazer no hospital pode ser completado pelo seu trabalho?

Pode porque não há incompatibilidades. Nós não podemos fazer alterações ao que o colega químico está a fazer, mas podemos ajudar o paciente a ter melhores condições para sobreviver aos seus problemas.

Ao longo de todos estes anos tem tido casos de sucesso? Pessoas que se encontravam desesperadas a pensarem que iam padecer das suas doenças?

Tenho tido alguns casos de sucesso no cancro, foram sobrevivendo e com qualidade de vida.

Sente que do lado dos profissionais de saúde há um respeito profissional mútuo? Ou pelo contrário acha que os médicos, os profissionais da medicina tradicional olham para estas áreas com muita desconfiança?

Cada profissional tem o seu método, cada profissional tem a sua maneira de tratar o ser humano. Há uns que aceitam e até nos enviam pacientes para nós ajudarmos. Há outros que não aceitam tanto, mas quando estão menos bem também nos procuram. Assim como nós os procuramos a eles quando precisamos.

Leia a primeira parte da entrevista. Assista ao vídeo da entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=8TNnJiKb09o

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