Toda a Oliveirense de braços no ar

Toda a Oliveirense de braços no ar

Por / Futebol / terça, 23 maio 2017 00:00

No passado domingo a Oliveirense carimbou a passagem de regresso à segunda Liga com uma derrota caseira na receção ao Salgueiros, que também festejou por breves instantes no Carlos Osório devido a uma informação errada que dava conta da derrota do Merelinenese.

No mínimo insólito! Foi com um duplo festejo que terminou o jogo que consumou o regresso da Oliveirense à Liga Ledman e o “pseudo” apuramento do Salgueiros para o playoff de apuramento.

É que o Salgueiros até venceu (0-1) em Oliveira de Azeméis, mas com o resultado do Merelinense em Viseu, frente ao Lusitano, não foi suficiente para disputar o play off de promoção.

Para Bruno Ribeiro aquela fora a quarta vitória em seis jogos enquanto timoneiro dos salgueiristas. Ainda assim, e pelo desfecho associado, “foi uma vitória amarga” de uma equipa para a qual “o playoff era um prémio mais que justo”. O encontro do Merelinense terminou empatado 2-2, desfazendo a festa (extemporânea) do conjunto de Paranhos.

Pela parte unionista o sentimento era díspar. Sérgio Silva, capitão, homem da terra e com todo o percurso futebolístico feito em Azeméis, foi um dos espelhos da alegria de um balneário que “recebeu muitos jogadores novos no início da época”, mas que “se uniu em torno de um objetivo que estava na cabeça de todos e que permitiu reerguer o clube”. 

Com trinta e dois jogos cumpridos esta época para o Campeonato de Portugal Prio, Pedro Miguel foi perentório em reconhecer que a sua equipa sentiu “muitas dificuldades para se adaptar a este campeonato, mas com uma segunda volta ímpar foi-nos possível cumprir o objetivo de passar à 2ª fase e disputar a subida”. No que respeita à discussão do título, algo que já conseguiu ao comando da Oliveirense na época 2007/2008 frente ao Sporting da Covilhã, Pedro Miguel considera que vão ter pela frente o “jogo mais importante da época”, frisando que “subir até podemos subir muitas vezes, ser campeão nem por isso!” Já face à calendarização deste último e decisivo encontro, o desconforto foi manifesto: “Parece-me que a distância para o próximo jogo é excessivamente longa, acredito que, tal como nós, o Real Massamá quisesse jogar já no domingo”.

As dificuldades e os maus resultados da Oliveirense na primeira volta do campeonato também foram recordados por Horácio Bastos. “Foi um percurso difícil”, frisou o presidente da União, aproveitando para dar os parabéns aos jogadores, mas vincando que “temos que pensar no futuro, sobretudo em termos de infraestruturas”. O estádio Carlos Osório tem sido, já desde há largos anos, um dos problemas mais visíveis do clube. Horácio Bastos, entre a felicidade da subida e a real consciência destas limitações pediu “a colaboração e união dos oliveirenses”. “Não podemos depender sempre dos mesmos e hoje ficou provado que não temos estádio para o futebol profissional”.

Só para iluminação são mais de 200 mil euros

O dirigente acabaria por aprofundar aquelas matérias: "Regressar à segunda Liga logo no ano seguinte ao da descida era um objetivo muito ambicioso, mas confiava plenamente na minha equipa de trabalho", salienta Horácio Bastos.

"Achava convictamente que íamos conseguir e, por isso, parabéns aos jogadores, pois são eles os obreiros, os verdadeiros artistas dentro do campo, devido à raça e ao espírito de entrega colocados numa altura em que estávamos condenados por toda a gente, mas conseguimos dar a volta.

Agora a questão das obras: "Neste  momento o nosso handycap são as infraestruturas. Tínhamos um plano a cinco anos, mas agora vamos ter de fazer remodelações", reitera, explicando que  "jogar na Liga não é a mesma coisa, a exigência é maior e vamos ter de avançar com obras senão não poderemos jogar neste estádio".

A começar pela iluminação que precisa de ser intervencionada, "e só isso custará mais de 200 mil euros".

Além disso haverá necessidade de "dar mais alguns retoques", nomeadamente mudar os bancos, alargar os balneários e fazer uma sala de conferência de imprensa, sendo que além disso  o presidente vê como ideal "conseguirmos fazer outra bancada".

E isto não são objetivos. É uma obrigatoriedade. A Oliveirense já teve a supervisão do delegado da Liga nessa matéria e são aquelas benfeitorias  que constam de um relatório muito pesado para os cofres unionistas.

"Vamos ter de nos socorrer de todos os oliveirenses que se devem unir e ajudar o clube. Este ano conseguimos unir já muita massa adepta e muitos pequenos patrocinadores e  isso é muito importante para a Oliveirense, que não pode depender apenas de dois ou três mecenas e da Câmara Municipal", reiterou Horácio Bastos.

Isso apesar de a União estar já no bom caminho da resolução do passivo financeiro. Só pelo simples facto de estar na segunda Liga os gastos serão maiores, mas a gestão rigorosa do clube estáa dar bons frutos.

" Temos tudo pago até ao mês passado e já pagámos uma grande quantia do que está para trás". No final daépoca, a Oliveirense terá uma dívida de cerca de 100 mil euros efetiva: quando Horácio entrou aquela era de cerca de 400 mil.

Pedro Miguel? "Por mim, fica!"

Garantindo que, "por mim, Pedro MIguel continuará a ser o treinador da Oliveirense", Horácio Bastos não tem como objetivo fazer-se já à subida à primeira divisão: "Só com infraestruturas é que se pensa na primeira Liga. E aqui já estamos a falar num estádio novo ou neste remodelado".

Bastos assegura que o Carlos Osório tem condições para ser remodelado para 5 mil lugres, porém adverte que o custo da remodelação seria praticamente igual a fazer um novo.

"Não conseguimos gastar menos de 3 milhões de euros e por pouco mais que isso já se faz um estádio de raiz", atira, voltando a mandar a farpa: "Isso não depende só a direção. Há muita verba envolvida.

Para Horácio Bastos, o cenário ideal passaria pela construção de uma nova infraestrutura desportiva no Centro de Formação, "todavia seria necessário ir buscar parte do campo contíguo, da escola". Mas só o facto de haver negociações a fazer a burocracias a agilizar junto do Ministério da Educação poderia dificultar a tarefa.

Para já, segue a época, e a correr bem "e com um bocadinho de sorte poderemos atingir o pleno e sermos campões em basquete e em hóquei".

Um sonho, talvez,mas esta União já provou que vale a pena acreditar.

 

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