Da esquerda para a direita: António Landureza, Prof. João Carlos Gomes da Costa, José Landureza e António César Guedes Da esquerda para a direita: António Landureza, Prof. João Carlos Gomes da Costa, José Landureza e António César Guedes in 'Os primeiros 45 anos do União'

História do Ténis em Azeméis: da Oliveirense ao CTA

Por António Rebelo/ Martinho Almeida / Outras Modalidades / sexta, 29 setembro 2017 10:19

Recuando aos anos 30, o primeiro impulso na prática do ténis em Oliveira de Azeméis, germinou muito especialmente pelo empenho do prof. João Carlos Gomes da Costa que aqui lançou a semente e cuidou como destacado praticante-treinador e dirigente. Na altura, a iniciativa também foi a acarinhada pela Oliveirense, conforme narram António Rebelo e Martinho Almeida, no livro da União, e cuja cortesia nos permitiu transcrever excertos da obra que alude aos tempos em que o ténis fazia parte da oferta 'unionista'. 

 

A par do futebol, o ténis foi durante décadas a segunda modalidade do clube, graças à carolice de um punhado de homens, com destaque para João Carlos Gomes da Costa.

A modalidade viveu da boa vontade e da dedicação daquele desportista e de um punhado de colaboradores e praticantes, sem sobrecarregar as precárias finanças do clube. Durante anos a fio, a secção de ténis organizou duas provas de grande prestígio, a “Taça Oliveira de Azeméis”, disputada na variante de singulares, e a “Taça Alberto da Costa Falcão em pares, que trouxeram até Oliveira de Azeméis representantes dos melhores clubes de ténis portugueses.

O Oliveirense foi o primeiro e grande baluarte regional do ténis, possuindo não só instalações condignas para a prática da modalidade, mas também tenistas de nome. Em 1962, na rubrica “Nótulas Aveirenses”, o jornalista João Sarabando, depois de recordar que a modalidade fora praticada no final das décadas de 20 e de 30, particularmente na Curia e Aveiro, escrevia: “A pouco e pouco o interesse pelo ténis foi esmorecendo. Desapareceu do tablado S. João da Madeira, abandonou Aveiro, de Espinho e do Luso quase não se ouve falar… Resta o Pejão e sobretudo a graciosa Oliveira de Azeméis, onde uma plêiade de verdadeiros entusiastas não desarma, não se rende! (…) Estamos persuadidos que Espinho regressará, com o calor de outrora, à prática do ténis, fazendo assim excelente companhia ao Pejão e à campeã Oliveira de Azeméis.”

Em 1964, esteve em Oliveira de Azeméis o então campeão nacional Alfredo Vaz Pinto, do Clube de Ténis do Estoril, que em entrevista ao “Correio de Azeméis” referia que encontrara nos tenistas do Oliveirense “grandes qualidades e muito interesse pelo ténis, o que é fundamental para adquirirem um melhor nível técnico.”

O ténis trouxe até Oliveira de Azeméis os mais distintos jogadores nacionais, constituindo um belíssimo cartão de fidalguia e de bem saber receber dos oliveirenses. Consultando a imprensa da época, retém-se com facilidade este dado, já que, além da vertente desportiva, destacava-se a social, plasmada quer em almoços, quer até em bailes, normalmente ao sábado à noite, quando as provas duravam dois dias, ou no final destas.

Apesar de ser um clube modesto, o Oliveirense trabalhava bastante em prol do ténis. Isso mesmo era reconhecido pelo trissemanário ”Sports”, de Lisboa, quer a propósito da assembleia-geral da Federação Portuguesa de Lawn-Ténis, realizada na capital, em Dezembro de 1939, salientava a presença do representante da UDO, “um clube modesto, que pelo ténis bastante tem trabalhado na sua terra”, Dr. Afonso Costa, enquanto verberava a ausência de outros, não só do Sul, mas também do Norte.

 

Inauguração do court de ténis da União Desportiva Oliveirense

Cinco meses depois da abertura do parque de jogos, a 16 de Abril de 1933, foi inaugurado o court de ténis da União Desportiva Oliveirense, espaço que, em 1946, seria sacrificado para o alargamento do campo de futebol. A cerimónia inaugural ficou marcada pela aspersão com champanhe do recinto, pela madrinha do court, Maria Isabel de Castro Leão, seguindo-se a realização de um torneio de ténis, cujos resultados foram os seguintes:

A 1 de Maio de 1934 recomeçavam os jogos de ténis no court da U.D.O., que acabou por passar por uma grande transformação. Decorridos alguns anos, prosseguiriam as obras de beneficiação daquela infra-estrutura. Graças ao entusiasmo de Urbano Barreto, em 1939, o court de ténis foi melhorado, com obras que dotaram aquele espaço de bancadas de cimento, com capacidade para 100 pessoas, cobertas com armação de ferro e arame, que serviria de suporte às roseiras, plantadas ao redor do recinto. Paralelamente foi melhorado o piso do court. Entretanto, para fomentar a prática do ténis, diariamente, encontrava-se nas instalações do clube um atleta disponível para orientar os principiantes na modalidade.

 

1940 - A demonstração

O ténis oliveirense viveu um momento alto em Junho de 1940, com a visita a Oliveira de Azeméis, para um jogo de demonstração, do campeão de Portugal em pares Vasco da Horta e Costa, que vinha acompanhado por Luís Megre e Gonçalves de Azevedo. Depois do almoço, servido pela Pensão Grilo, no parque de jogos, em jogo de exibição, o campeão nacional venceu Luís Megre por 6-2 e 7-5. Em pares, este dois atletas bateram João Carlos e José Landureza por 6-2 e 6-2. A finalizar, Horta e Costa, que fez par com José Lino, venceu a dupla Luís Megre e José Guimarães por 8-6.

 

“Taça Oliveira de Azeméis”   

Pela primeira vez, já no final do mês, disputou-se a “Taça Oliveira de Azeméis”, prova patrocinada pela Federação Portuguesa de Lawn-Tenis, aberta a todos os jogadores juniores de Portugal, que seria disputada ao longo de muitos anos. Para tanto, foi necessária a construção, em tempo recorde de três courts suplementares. A iniciativa dispendiosa, mas de profundo alcance desportivo, partiu da própria secção do União, à frente da qual se encontrava Urbano Barreto, fervoroso apoiante do ténis e dedicado unionista.

Inscreveram-se 32 atletas, em representação de cinco clubes: Académico Futebol Clube (9); Estrela e Vigorosa (3); Lawn Ténis da Foz (2); Carreiros (4) e União Desportiva Oliveirense (14). Eram eles: Alberto Falcão, Mário Fonseca, José Lino, Armando Dias, José Guimarães, Carlos Osório, Dr. Amadeu Moreira, Dr. Inácio Coelho, João Carlos G. Costa, Francisco Duarte, António Guedes, João Fonseca, Urbano Barreto e José Landureza. Apenas três destes atletas conseguiram vencer os seus advrsários. João Carlos venceu Luís Khron (Carreiros) por 6-3 e 6-4; João Fonseca venceu Eng. Carvalho Reis (Académico) por falta de comparência deste; José Landureza, que chegou à meia final derrotou W. Minneman  (Académico) por 6-1 e 6-0, José Amaral (Estrela e Vigorosa) por 3-6, 6-4 e 6-4, e Celestino Campos (Carreiros) por 6-1 e 6-1. O atleta unionista foi afastado da final ao perder com Alexandre Magalhães (Académico) por 6-2 e 6-3. Este seria derrotado na final por Diogo Távora por 6-1 e 6-3, que assim conquistou a Taça Oliveira de Azeméis.    

 António Rebelo/ Martinho Almeida, in ' Os primeiros 45 anos do União"

 

Clube de Ténis de Azeméis: o sonho de crescer em permanência

Após o trabalho de implementação da modalidade pela Oliveirense, e porque os adeptos da modalidade, sempre entenderam que careciam de autonomia e estatuto próprios, a 19 de março de 1982, foi assinada a escritura da fundação do CTA (Clube de Ténis de Azeméis).

A partir de então, porque estavam criadas as condições para se pugnar ainda mais pelo desenvolvimento da actividade, confirma-se a cada vez maior implantação do ténis oliveirense a nível regional.

Segundo reza o site do clube, entre outros destacados praticantes locais da modalidade, que lograram atingir posições cimeiras no “ranking” nacional, Manuel Moreira, que chegou a titular nortenho de 2ªs categorias – e por muitos anos foi presidente do CTA – é referenciado como uma lenda viva e ainda grande dinamizador do ténis oliveirense.

Não é novidade para ninguém aqui referir que o Clube de Ténis de Azeméis, tem vindo a assumir-se como um dos mais dinâmicos e organizados clubes do norte do país, especialmente por mérito dos seus dirigentes, associados e praticantes.

Desde a fundação, a colectividade sempre pugnou por conseguir instalações próprias e condignas, sem as quais difícil seria seguir em frente.

Primeiro, avançou com a construção de dois “courts” em piso rápido, inaugurados em 1983; depois foi o contínuo concretizar de mais “courts” até à sede própria – modelares instalações a condizer com a importância do CTA, no contexto nacional.

Com um património constituído por sete “courts”, dois dos quais em terra batida (posteriormente convertidos em piso rapido), o Clube de ténis de Azeméis, possui também outras excelentes condições.

 

A estrutura desportiva é também apoiada por sede própria, que dispõe de modelares instalações: está equipada de balneários, sala de ginástica, bar, restaurante, secretarias, gabinete médico e gabinete de trabalho, sala de reuniões, entre outras.

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