Cantar os Reis de novo nas ruas de Ovar

Cantar os Reis de novo nas ruas de Ovar

Por Redação / Ovar / quinta, 04 janeiro 2018 10:56

Cumprindo a secular tradição, os Reis estão de novo nas ruas de Ovar para desejar a todos um Bom Ano de 2018 com toadas harmoniosas.

Depois das ruas, praças, estabelecimentos comerciais e espaços públicos, o Cantar os Reis culminará com o tradicional Encontro de Troupes de Reis de Adultos e Troupes de Reis Infantis, nos dias 06 e 07 de janeiro, pelas 20h30 e 15h00, respetivamente, no Centro de Arte de Ovar.

Este Encontro apresenta 15 Troupes Adultas, que anualmente criam e apresentam letras e músicas originais, e nove Troupes Infantis, que mantêm cada vez mais viva esta tradição.

Os bilhetes para assistir ao Encontro de Reis são gratuitos e limitados à lotação da sala e devem ser levantados no próprio dia, num máximo de quatro por pessoa para as Troupes de Adultos e dois por pessoa para as Troupes Infantis.

Recorde-se que no final de 2016, a Câmara Municipal de Ovar submeteu com sucesso a candidatura a Património Cultural Imaterial, considerando que, apesar de partilhar algumas caraterísticas com outras práticas em Portugal e na Europa, designadas de “Cantar os Reis” ou “Cantar as Janeiras”, em Ovar esta prática sofreu, ao longo dos anos, um processo de codificação artística, social e performativa, considerada diferenciadora, uma vez que adquiriu um recorte cultural próprio, sofisticado ao nível da composição musical e poética, e especializado ao nível da performance.

 

A história do Cantar os Reis em Ovar

A tradição das Troupes de Reis remonta aos finais do século XIX. Tinha inicialmente alguma semelhança com as «Janeiras» que têm lugar um pouco por todo o país, mas adquiriu características próprias e originais em Ovar. Em 1893, com o especial patrocínio de João Alves Cerqueira, um conceituado comerciante da praça vareira de então, nasceu a primeira Troupe – a dos “Reis dos Alves” ou “Troupe dos Velhos” e logo outras começaram a surgir.

O Cantar dos Reis em Ovar distingue-se dos restantes pelo facto de, apesar de serem imbuídas de um saudável amadorismo e surgidas de forma espontânea, as Troupes vareiras exigem de si mesmas o mínimo de qualidade interpretativa e melodiosa. Desta forma, as exibições são minuciosa e antecipadamente ensaiadas; o leque de instrumentos tocado é muito variado e inclui o violão, o bandolim, o banjolim, a bandola e até o violino; o desempenho vocal é muito importante e manifesta-se em belas exibições de solistas e coros; as toadas, em jeito de balada, têm letras inéditas e músicas inéditas ou adaptadas. Destaque ainda para a estrutura do Cantar dos Reis, que é constituído tradicionalmente por três trechos: A Saudação onde é louvada a Noite Santa dos Reis e são saudados os presentes; A Mensagem onde se celebra o nascimento de Jesus e os seus ensinamentos; e O Agradecimento, em tom bastante mais ligeiro, no qual são pedidas as ofertas habituais e é agradecida a hospitalidade.

A qualidade das Troupes de Reis vareiras desde cedo cativou e impressionou o público, e o que representava um simples ato de cantar as boas festas a favor de obras sociais cresceu e tornou-se num evento de cariz cultural. Assim, as Troupes passaram a apresentar-se num espaço comum, nas Praças, no Salão Nobre dos Paços do Município, no Cine-Teatro, no Centro de Arte de Ovar, onde todos podem assistir e apreciar uma tradição com mais de cem anos.

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