Tony Giusti é director, autor e actor no Brasil. Tony Giusti é director, autor e actor no Brasil.

Tony Giusti traz “inferno existencial” a Oliveira de Azeméis

Por / Oliveira de Azeméis / segunda, 06 novembro 2017 17:59

Homem dos sete ofícios no teatro, o brasileiro Tony Giusti apresentou no passado dia 4 de Novembro no auditório da Junta de Freguesia de Oliveira de Azeméis o monólogo “Pós-Man”. De passagem por Azeméis a convite do Grupo Oliveirense de Teatro Amador (GOTA), Tony Giusti falou com o CidadesOnline acerca de uma comédia que fala da vida do homem de meia-idade e pós-moderno.

“Tive a honra de ser convidado pela Ana [Garcia] para fazer esta apresentação aqui em Oliveira de Azeméis. Fiquei muito feliz”, começa Tony Giusti. O único protagonista da peça “Pós-Man” conta que a história desta nasceu de um conto que escreveu e que deu a ler a uma amiga. O brasileiro foi ouvindo histórias de amigos com histórias parecidas com as do personagem, juntando ideias e trabalhando. Mais tarde, acabou por juntar forças com a amiga e por transformar o texto num monólogo que “acabou por dar muito certo”. “Fiz temporadas muito boas lá no Brasil”, revela.

Tony Giusti já esteve no nosso país em 2014, quando fez três sessões de “Pós-Man” no Porto. “Eu adoro Portugal. Identifiquei-me muito com o país”, conta.

Director, autor e actor, Tony Giusti tem uma carreira de 25 anos no Brasil, tendo já feito curtas e longas-metragens e “muito teatro”. Como actor, o brasileiro sempre fez parte do grupo Tapa. Paralelamente, fundou um grupo de teatro, no qual é autor e director. E inaugurou uma casa de teatro em 2013, o TOP Teatro. “Nunca fui atrás da Globo. Nunca fiz um teste, nunca mandei um currículo. O meu universo é muito dentro do teatro. É muito dinâmica a minha vida no teatro, satisfaz-me plenamente”.

Um “inferno existencial”  

“Muito dinâmico”, o monólogo apresenta um “quarentão” que vai ficando louco à medida que se questiona e faz um apanhado sobre a própria vida, depois de ficar a pensar no que um outro homem terá pensado dele. “Questiona-se sobre a mulher, sobre os filhos, sobre a filha, sobre as amantes, sobre os amigos e até o cão entra na história”, conta Tony Giusti. Segundo este, “Pós-Man” é um questionamento sobre o universo do homem de meia-idade e sobre a “crise da meia-idade” que faz parte do ser humano. Chegando-se à meia-idade, os filhos estão adolescentes ou adultos, a mulher está na meia-idade também, as coisas começam a assentar e é quando se tem tempo de pensar na vida, diz o dramaturgo. “E quando se tem tempo de pensar na vida, a coisa complica. Começa-se a querer entender determinadas coisas que quando se é mais jovem se vai levando mais facilmente”. Para Tony Giusti, a meia-idade é um período de início de avaliação. “No meu personagem acontece isso. Ele envereda por um inferno existencial, mas tudo de uma forma leve, dinâmica”.

“Vou sempre voltar a Portugal”

O dramaturgo confidencia que a situação do teatro no Brasil já foi mais animadora. “Infelizmente, através de toda essa coisa esquisita que está a acontecer no nosso país, o público do nosso teatro diminuiu muito”. O medo, a insegurança e a crise são, para o brasileiro, as causas dessa diminuição. “De alguma forma a nossa economia está a descolar dessa política asquerosa que a gente tem de momento no Brasil. A economia parece que está a começar a recuperar. A gente sente um certo retorno do público de teatro. Mas ainda é muito pequeno”, desabafa.

Sobre a hipótese de se mudar um dia para Portugal, Tony Giusti conta que pensa nela “todos os dias”. Mas acaba por recusar. “Tenho uma estrutura montada lá. Tenho o teatro, tenho uma carreira, tenho um grupo de actores, os meus trabalhos surgem lá. Convidam-me para fazer filmes lá. Abandonar tudo isso é difícil”. Mas esclarece: “vou sempre voltar a Portugal”.

Acerca de projectos para o futuro, o actor, autor e director revela que um seu sonho é fazer um musical que conte a história do folclore brasileiro. “É uma coisa que está em compasso de espera. As coisas estão a acontecer, a juntar-se”.

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